Autor: Álvaro Faleiros

192p.

[Coleção Species]

 

A vingança guerreira dos Tupinambá e a teoria haroldiana da transcriação.

O canto de um certo xamã araweté e as forças singulares com que

Ana Cristina Cesar traduz, ou refaz, Le Cygne, de Baudelaire. O totemismo e o sacrifício no mundo ameríndio e o desconcertante projeto tradutório de Maria Gabriela Llansol para Les Fleurs du Mal. Eis algumas das inusitadas aproximações que animam o livro excelente que o leitor tem agora em suas mãos.

Ao explorar nexos possíveis entre tradução, reescrita poética e ação

xamânica, o autor de Traduções canibais participa de uma corrente mais ampla, por onde confluem hoje esforços multidisciplinares de abertura aos abalos potencialmente transformadores do pensamento ameríndio, este que vem sendo reverberado de modo notável por antropólogos como Eduardo Viveiros de Castro, Manuela Carneiro da Cunha e Pedro Cesarino.

Na leitura sensível que faz dos materiais etnográficos que estes e

outros estudiosos nos franqueiam, Álvaro Faleiros traz as forças da imaginação ameríndia ao campo particular dos estudos da tradução literária, criando aí importantes e instigantes deslocamentos. Responde com essas forças aos mistérios de um conjunto de atos particulares de tradução e reescrita poética,brindando-nos com análises que desdobram e conduzem a lugares surpreendentes

o legado antropofágico, hoje novamente tão frequentado.

Estarão com sorte ao ler este livro não apenas os interessados nas

teorias da tradução, da literatura e da antropologia e os adeptos dos escritores aqui convocados, como, de um modo geral, todos aqueles que, livres das travas do exotismo e da condescendência, dirigem ao mundo ameríndio um olhar perplexo e genuinamente interessado.

 

[Helena Martins]

Traduções canibais: uma poética xamânica do traduzir

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