Autor: Marco Antonio Valentim

320 páginas

 

"Como falar de um livro que deveria ser lido sem mais, imediatamente?

Ainda mais quando Extramundanidade e sobrenatureza tem a quem escreve estas linhas como um de seus muitos interlocutores, e que tudo o que mais ou menos prestava, de meus escritos, se vê nele elevado a uma potência muitíssimo maior?

Aqui se tira do eixo tanto a Filosofia como a Antropologia que dela é (que dela sempre foi) tributária. Este livro pode ser lido como extraindo as consequências de uma observação recente de Isabelle Stengers: "Se lermos os filósofos pensando no que tudo o que eles dizem implica para os africanos ou os amazônicos... Bem pouca coisa se salva de nossa filosofia."

Com efeito. E, reciprocamente, como pergunta (como responde) Marco Antonio Valentim: e se lermos/ouvirmos o que dizem “os Africanos” ou “os Amazônicos” pensando no que isso implica para a filosofia – como isso poderia implicar “a filosofia”, entenda-se, nossa filosofia?

Há algo de novo, de metafisicamente subversivo, de perturbador para nossa metafísica, clássica ou renovada, descritiva ou reformista, que os povos extramodernos podem aportar? Ou, ao contrário, devemos partir do princípio – pois se trata de uma posição de princípio, pior, de uma pressuposição de princípio – segundo o qual tudo o que esses povos dizem é redutível a alguma variante primitiva ou arcaica de nossas doutrinas? De doutrinas, aliás, relativamente marginais dentro da história da filosofia moderna, mas de qualquer forma algo que a filosofia já pensou, porque ela sabe o que é o “Dasein mítico”, ou porque ela há muito franqueou o abismo que separa, por exemplo, o animismo ingênuo “das crianças e de alguns povos do mundo” das versões “críticas” ou “racionais” de Leibniz ou de Espinosa (cf. Renée Bouveresse), ou porque ela pode falar em um “antropomorfismo superior” como o de Nietzsche ou de Gabriel Tarde (cf. Pierre Montebello) — porque ela, em suma, sabe o endereço e o telefone do Ser-enquanto-Tal, esse augusto personagem que habita uma mansão muito distante das florestas e desertos extramodernos?

Extramundanidade e sobrenatureza faz o que a espantosa tese de Oswald de Andrade, A crise da filosofia messiânica, poderia ter feito se tivesse sido aceita pela USP, nos idos de 1950. Este livro é simplesmente a contribuição mais original da filosofia brasileira ao pensamento-mundo.

Caminhamos.

Eduardo Viveiros de Castro

Extramundanidade e sobrenatureza. Ensaios de ontologia infundamental

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